A EXCELÊNCIA NA FINALIZAÇÃO ORTODÔNTICA

3 de agosto de 2010

                                                                                                                                                         

         Precisamos calcar nossa ação no conhecimento científico, que em sua estruturação necessita de Organização, Objetivo próprio e Metodologia específica.  A razão disso advém da própria definição do que se concebe como Ciência: um conjunto organizado de conhecimentos relativos a certas categorias de fatos ou fenômenos.

        Toda ciência, para definir-se como tal, deve necessariamente possuir um objetivo próprio, assim como definir suas bases tendo em vista uma metodologia específica. Em decorrência, ela vai distinguir-se do conhecimento vulgar, porque procura pôr ordem nas coisas, classificando-as, e, além disso, tem a preocupação de procurar uma resposta pela análise das leis que as regem.  Tendo-se conhecimento das leis naturais, a ciência desempenha duas funções: primeiro, teórica, que nos explica e liberta do imprevisto e ininteligível; e depois, uma função prática, porque permite-nos prever os fenômenos pelo conhecimento das leis.

          Ora, a busca pelo ideal de oclusão estável pós-tratamento ortodôntico não deve possuir seu foco limitado apenas ao seu aspecto estático, como assume a definição de modelo ideal aquele expresso nas seis chaves de oclusão de Andrews. Parece ser esta a preocupação da comunidade ortodôntica em geral, sem a consciência ou compromisso de estabelecer um relacionamento íntimo com o complexo aspecto dinâmico, que além dos dentes  pressupõe o sistema de suporte ósseo, periodontal,  sanguíneo, muscular e articular, tudo coordenado na composição das praxias de oralidade e seus reflexos posturais comandados pelo sistema nervoso central, expressando movimento, energia e ação. Claro, tudo regido por leis biológicas, ou da natureza.  A propósito, é oportuno lembrar Juvenal, um poeta da antiguidade romana do primeiro século, que afirmou:

           “Nunca a Natureza diz uma coisa, e a Sabedoria diz outra”.

         Dizer que oclusão ideal, ou normal (não estabeleço diferença entre os termos, embora há quem faça) é aquela que permite ao sistema estomatognático a realização de todas as funções fisiológicas com preservação da higidez de sua estrutura, é dizer tudo e absolutamente nada ao mesmo tempo, pois não define coisa alguma.  Porém, é exatamente isso que avulta nos compêndios de Ortodontia quando a referência é aquilatar o resultado ortodôntico apresentado em fotos em oclusão cêntrica. Isto não diz nada, sendo desnecessário justificar o porquê da afirmação.  Esquadrinham-se à saciedade estratégias de ancoragem e movimentações dentárias, características de fios, qualidades e tipos de suportes com suas especificações, evidentemente de grande valor técnico, como se a simples obediência a cada um destes requisitos conferissem um aval de qualidade ao resultado do tratamento em termos de estabilidade e harmonia.  Se houver necessidade de contenção, o resultado estará inegavelmente pressupondo desequilíbrio entre a decomposição das forças geradas pela mastigação e as resultantes indesejáveis que vêm a materializar a tão execrável recidiva. RECIDIVA É CONSEQUÊNCIA DE DESEQUILÍBRIO OCLUSAL, e contenção é curvar-se a esta realidade.  

        É preciso entender que a pretensão de escorar aqueles dentes por um tempo não significa que ficarão obedientes quando se sentirem livres, seja depois de um, dois, quatro ou dez anos. Caso o sistema neuro-ósteo-dento-músculo-articular não tenha se estropiado todo à submissão a esta contenção, o que é improvável, ao cabo de toda esta saga, a recidiva seguramente se manifestará em graus variados.

         Os dentes, alvos preferidos da terapia genérica, são apenas parte de uma estrutura, e é oportuno lembrar um axioma de Myron Lieb, que de maneira muito elegante assim se expressou:

        “Sem estrutura, não pode haver função”.
        “Sem correta estrutura, a função não pode ser correta”.

         “Função incorreta pode afetar não apenas uma correta estrutura, mas também afetar seriamente o desenvolvimento das estruturas”.

            A melhor maneira de se estabelecer um método, senão o único, para estudar o que vem a ser Equilíbrio do Sistema Estomatognático, é definir um Objetivo, qual seja, evidenciar de maneira insofismável quais são os requisitos de estabilidade oclusal; depois cuidar da Organização dos tópicos de forma a consubstanciar uma Ordem lógica para análise; e por fim estabelecer uma Metodologia específica para tanto, lançando mão do meio adequado, o Articulador semi-ajustável. 

         Já afirmei que se existe uma especialidade que por obrigação irretorquível de responsabilidade deve conhecer profundamente oclusão é a Ortodontia, e por conseguinte, o método por meio do qual é permitido seu estudo, o articulador semiajustável.  É tão óbvia a razão que se torna até constrangedor precisar lembrar que quem movimenta dentes deve fazê-lo com consciência de que está interferindo profundamente no equilíbrio ósteo-dento-músculo-articular. Este equilíbrio é traduzido pela ação harmônica dos constituintes como forma e situação do plano oclusal, trajetórias condilares, dos incisivos, curvas de decolagem e alturas cuspídeas que há anos Thielemann e Hanau traduziram em leis incontestes dentro da ciência odontológica, além da existência real dos ângulos entre as superfícies deslizantes das vertentes dentárias evidenciadas por Beyron e complementadas por Planas nos “ângulos funcionais mastigatórios”. É importante afirmar definitivamente o seguinte: ajuste oclusal, seja em cêntrica ou nos movimentos excêntricos, não podem ser realizados apenas e tão somente com os dentes perfeitamente alinhados e nivelados em oclusão cêntrica. Não faz sentido algum se os demais requisitos não estiverem satisfeitos. 

            É penoso afirmar, mas, fora deste caminho organizado que consubstancia a Ciência, o panorama é extremamente sombrio e caótico, relegando a especialidade à categoria de frivolidade estética.  Engana-se, portanto, o colega que procura facilidades e atalhos na prática ortodôntica, dando ouvidos ao cântico das sereias, pois o que receberá em troca será a moeda de valor aviltado pela massa amorfa de profissionais sem identidade. 

            Porém, há sim, luz no fim do túnel.  O panorama pode ser mudado quando se rompe este paradigma já envelhecido e passa-se a empregar o acervo de conhecimentos da Reabilitação Neuro Oclusal.  Quando isso acontece, não apenas o profissional desperta em outro plano de consciência, como também passa a respeitar-se mais quando percebe a importância do que executa, fato percebido pelo paciente que interpreta esta diferenciação como um valor agregado àquilo que recebe e sente prazer em retribuir e divulgar, o que é muito natural.

         Até mais

ÚLTIMAS VAGAS: Especialização em Ortodontia

18 de julho de 2010

       Esta nota objetiva de informar o surgimento de três vagas na lista de colegas cujos nomes estão sendo enviados ao CFO para cursarem Especialização em Ortodontia.

       O curso, em seu estágio inicial, pode ser acompanhado por colegas com interesse específico no enfoque adotado pela Reabilitação Neuro Oclusal. Este diferencial pode ser conhecido em texto deste Blog com o título  “Ortodontia com RNO – o que vem a ser?” postado em março de 2010, e na página do Site  “Conheça meus princípios terapêuticos”, cujo texto “O enfoque terapêutico integrado” fornece elementos para avaliação do padrão educacional adotado. Outros detalhes podem ser acessados nos textos “O modelo estomatognático da Reabilitação Neuro Oclusal”, partes I e II, postados neste Blog em 05 e 26 de janeiro de 2010, respectivamente,  ao lado de diversos temas afins.

       O local de realização é na Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo www.facis.edu.br  e conteúdo  programático e demais informações no site.

Até mais

ALERTA À CLASSE

13 de julho de 2010

           Acabo de receber um comunicado oficial de nosso órgão de classe, o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo, alertando a respeito de propostas de algumas entidades de ensino que estão oferecendo certificação em duas especialidades num mesmo curso com um fictício aval do CFO e do Ministério da Educação. 

             O CRO nos comunica que, em consulta ao CFO, este considera tal certificação ilegal, pois não há portaria autorizando qualquer curso nestes moldes, pois ferem a Consolidação das Normas para Procedimentos dos Conselhos de Odontologia – Resolução CFO-63/2005-.

             Nesta mesma direção devo acrescentar o fato de que tenho recebido com regularidade outro tipo de proposta, na área de Ortodontia, de entidade que oferece Mestrado Profissionalizante e, como brinde, a Especialização na área correspondente, ou seja, dois papéis numa penada só.

             Do ponto de vista estratégico a manobra é brilhante, não tivesse sido sua legalidade igualmente vetada, como os colegas podem comprovar dirigindo-se ao Conselho Federal de Odontologia, órgão responsável pelo reconhecimento e fiscalização na área de ensino, ao lado do Ministério da Educação.

             Agora, deixando de lado o aspecto “estratégico” –ou mercadológico- o resultado desta armação é funesto, pois é difícil crer que um educador sério encontre alguma virtude em conceder esta “dupla cidadania” livremente a interessados com formação possivelmente precária ou amadora. Caráter “supletivo” pode servir a outros objetivos, nunca para formar profissionais dentro do tempo certo para maturação de suas habilidades.

            Está de parabéns o CFO.

             Até mais

SAUDAÇÕES À NOVA TURMA DE ESPECIALIZAÇÃO

9 de junho de 2010

     Com alegria, e um maior sentido de responsabilidade, dou as boas vindas aos novos colegas que completaram a turma que estará, a partir de agora, desbravando o mundo cativante e rico da Ortodontia vista através da Reabilitação Neuro Oclusal, um porto seguro que se constitui em instrumento de ação e transformação de experiência, sem dúvida um epicentro irradiador de nova consciência terapêutica, mais ampla e rica.

     Vindos de diferentes rincões do país, todos experientes o suficiente para perceberem além da letra, são já maduros o bastante para enxergar, e sentir de fato, o descortino de novas paisagens, outras exigências cuja percepção só vem com o tempo e a vivência.  Sinto-me, portanto, à vontade em transitar em condições tão propícias.

        Esta casa de ensino, Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo, FACIS,  já agora em sua segunda turma de especialização,  alcançou em recente avaliação do ENEM  a classificação 4, muito boa quando comparativamente a situamos, e por isso, deixa-nos na obrigação de devolver, em qualidade e eficiência, a credibilidade  conquistada de forma merecida.

        O que os novos especializandos podem esperar é um mergulho mais profundo nas técnicas nas quais já são hábeis, sejam elas ortodônticas ou ortopédicas, porém com uma direção e sentido de síntese comprometida com uma visão biológica que os farão enxergar a especialidade  sob novo prisma.

        Sem dúvida, este fermento os tornarão maiores  e melhores, aptos a compreender a dimensão do  compromisso que assumo com todos.

        Bem-vindos

Comentários sobre vídeo-aula III

1 de junho de 2010

     Ainda caminhando sobre os rescaldos, ou melhor, e-mails recebidos refletindo opiniões sobre o vídeo-aula “casos clínicos”, alguém questionou se a síntese terapêutica que pratico pode ser chamada de “reabilitação neuro oclusal”.  É provável que o missivista não tenha se inteirado das inúmeras abordagens que fiz a respeito em textos anteriores, de maneira exaustiva até.

     Cito Fernando Pessoa duas vezes: a primeira,  “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”. De fato, atualizo este julgamento  colocando o significado de “alma, raciocínio ou QI” no mesmo saco.   Cabe lembrar que a ciência não é estática. Ela evolui, cresce, se acrescenta. Sempre há uma possibilidade de aperfeiçoamento, como atesta a evolução alucinante da ciência da computação que tem hoje num simples PC um volume extraordinário de informações que nem de longe lembra a penúria  tecnológica que envolvia a primeira cápsula espacial que pousou na Lua!  Pode acreditar, meu amigo.  O Homem pousou na Lua, sim. 

      A segunda citação,  “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

      E por que não lembrar o próprio Pedro Planas, quando este diz textualmente “Odontopediatria, odontologia conservadora, periodontia, ortodontia, ortopedia, prótese, etc. são especialidades que para nós têm todas um denominador comum.  Este denominador chama-se equilíbrio oclusal,  o qual representa para a Reabilitação Neuro Oclusal o ser ou não ser da função mastigatória e da saúde do sistema estomatognático.  Todas essas especialidades, sob o ponto de vista da RNO, pertencem a uma estomatologia integral.”  Mais claro, impossível.  Permitam reproduzir carta a mim endereçada pelo  mestre Planas em 17 de outubro de 1989: … “pues lo que hacemos con R.N.O. no es ni ortodoncia ni ortopedia, la parodoncia y la protesis…”.  Ou seja, ela visa à construção de um modelo de sistema estomatognático fisiologicamente perfeito.  O alvo, ou objetivo final, foi traçado. A inteligência nos permitirá atingi-lo lançando mão dos meios disponíveis; já o preconceito pune e tolhe com  amarras o vôo livre do espírito, e  isto não é nada bom.

      As Escrituras nos lembram que “pelos frutos se conhece a árvore” (Mateus 12:33-43). De fato, TODOS os meus casos clínicos, independentemente de complicações técnicas, são terminados com a grife de equilíbrio que evidencia a função estomatognática fisiologicamente equilibrada, em que a forma e situação do plano oclusal guarda relação com as trajetórias condilares, as trajetórias dos incisivos (sobremordida e sobressaliência) relacionam-se equilibradamente às alturas cuspídeas e curvas de decolagem e, finalmente, todos esses componentes coordenados por ângulos funcionais mastigatórios semelhantes.  Não apenas este sinergismo é necessário, mas também o correto posicionamento dentário, sem espaços, rotações, inclinações e torques inadequados, sem supra ou infraoclusões, enfim um conjunto perfeitamente alinhado e nivelado.  Este modelo não foi criado pelo Homem, uma vez que é materialização criativa da natureza, que responde sempre adequadamente às solicitações para as quais foi concebida.

      É preciso martelar continuamente que praxias funcionais e perfeição estética não são excludentes. Atingem-nas quem sabe e pode. Chega de mais ou menos!

  Até mais